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12/08/2017

Em novo single, Scalene desvela perigos do fundamentalismo


A poucas semanas de se apresentar no Palco Mundo do Rock in Rio, a banda brasiliense Scalene disponibilizou o primeiro videoclipe de Magnetite, seu terceiro álbum de estúdio, que será lançado no dia 18 de agosto.

No trabalho, o grupo trouxe à luz os efeitos nocivos causados pelos líderes fundamentalistas, responsáveis pela propagação de um discurso reacionário, excludente e preconceituoso, que com as cores do ódio, da intolerância e, sobretudo da má-fé, pintam a cada dia um cenário social mais hostil.

No Estado onde a laicidade é piada, a atmosfera não poderia ser menos controversa: atualmente, a Bancada Evangélica do Congresso Nacional é composta por 87 parlamentares, sendo 85 deputados federais e 2 senadores, que militam em benefício próprio e aprovam leis que privam as minorias dos seus direitos.

Entretanto, os problemas não estão restritos ao âmbito político: as denúncias de intolerância religiosa cresceram 3.606% nos últimos 5 anos. Além destas incongruências, os casos de abusos sexuais e crimes de má-fé se proliferam incessantemente, sem punições equivalentes.

“Distopia” é um brado de bom senso defronte ao grande descaso sobre estas questões. Há um gritante silêncio por parte das autoridades e veículos midiáticos, que não pautando as barbáries com devida gravidade, validam a impunidade. Em tempos tão inóspitos, expor causas esquecidas é um ato tanto pertinente, quanto necessário. Assista o videoclipe, dirigido por Rafael Kent:


19/03/2017

Souvenir Sonoro

Sempre achei que as memórias fossem uma espécie de souvenir. Porém, com matéria-prima melhor: são etéreas, indestrutíveis e permanecem vivas para sempre. Por essa e outras razões, há um ano peguei a mochila e um voo para celebrar a música da banda Scalene, pousando sozinho em uma cidade para mim ainda desconhecida: era sábado, 19 de março e fazia um lindo dia em Brasília.

Entre tantas pessoas novas aos meus olhos, eu via a euforia preencher as conversas e estampar os rostos. A personificação do Scalene era evidente em cada detalhe, começando pela afeição por seu público: foi produzido um backdrop com fotos de duzentos fãs. O respeito, também característico, se manifestou no compromisso em oferecer a melhor experiência em todos os sentidos.

Entre tapas e afagos, o repertório composto por impressionantes vinte e três músicas abrangeu desde os singles frequentemente tocados na mídia até as músicas menos conhecidas, agradando a todos com uma precisão cirúrgica. A confraria frenética de duas mil pessoas pulou, cantou e gritou a plenos pulmões um uníssono intenso e hipnotizante.

As novidades, muito corriqueiras para o público, foram duas músicas divulgadas alguns dias antes. Mas sem esperar por uma faixa surpresa, todos foram surpreendidos, e este momento marcou um ápice na performance. A ocasião não apenas estabeleceu mais um grande passo na jornada do quinteto. O rock brasiliense, além de muito bem representado pelos headliners, se fortaleceu: as bandas Alarmes e Dona Cislene também integraram a festa, proclamando o vigor e a união da cena independente local.



Dentro do seu habitat e diante de uma grande audiência, reverberava a mesma personalidade que conheci em 2012, no calor humano e infernal de Cuiabá: a postura confiante e a essência autêntica efervesciam sob uma atmosfera promissora.

Hoje, mantenho aquele dia entre as minhas melhores memórias. A ocasião, a propósito, marcou o meu ritual de iniciação em rodas de pogo: fui magneticamente atraído e fervi em meio a adoráveis desconhecidos, num tipo de comunhão catártica que só o rock proporciona.

2017 continuará sendo marcado por novas conquistas. Ainda em março, já foram anunciados o terceiro álbum de estúdio e uma participação no Rock in Rio. Mas enquanto não acontece, você pode entender um pouco o que descrevi assistindo à íntegra do DVD no canal do YouTube. Enjoy the trip.

As fotos utilizadas foram gentilmente cedidas pelo Breno Galtier.

26/12/2016

{Re.si.li.ên.ci.a}


A resiliência é filha da resistência e mãe da perseverança. É a que se recusa a recuar, e pousa na esperança após a turbulência. É como o pássaro quando aterrissa, o peixe quando reencontra o cardume e a presa quando está a salvo.

É o romper do cordão umbilical, a eclosão do casulo e a troca de pele. É quando a seiva da chuva flui nas rachaduras da terra, e o arco-íris proclama o fim da tormenta.

Resiliência é substantivo, mas poderia ser adjetivo: é a qualidade dos fortes. Está na luz das noites em claro, no gosto de sal da lágrima e na resistência dos glóbulos brancos.

Resiliência é insistência: é quando se desiste de desistir. É o choro de alívio no oblívio da dor, a chaga cicatrizada, o curativo da alma. É saber que em alguma hora a poeira abaixa e tudo acaba.