19/03/2017

Souvenir Sonoro

Sempre achei que as memórias fossem uma espécie de souvenir. Porém, com matéria-prima melhor: são etéreas, indestrutíveis e permanecem vivas para sempre. Por essa e outras razões, há um ano peguei a mochila e um voo para celebrar a música da banda Scalene, pousando sozinho em uma cidade para mim ainda desconhecida: era sábado, 19 de março e fazia um lindo dia em Brasília.

Entre tantas pessoas novas aos meus olhos, eu via a euforia preencher as conversas e estampar os rostos. A personificação do Scalene era evidente em cada detalhe, começando pela afeição por seu público: foi produzido um backdrop com fotos de duzentos fãs. O respeito, também característico, se manifestou no compromisso em oferecer a melhor experiência em todos os sentidos.

Entre tapas e afagos, o repertório composto por impressionantes vinte e três músicas abrangeu desde os singles frequentemente tocados na mídia até as músicas menos conhecidas, agradando a todos com uma precisão cirúrgica. A confraria frenética de duas mil pessoas pulou, cantou e gritou a plenos pulmões um uníssono intenso e hipnotizante.

As novidades, muito corriqueiras para quem acompanha o Scalene, foram duas músicas divulgadas alguns dias antes. Mas sem esperar por uma faixa surpresa, o público foi surpreendido e este momento marcou um ápice na performance. A ocasião não apenas estabeleceu mais um grande passo na jornada do quinteto. O rock brasiliense, além de muito bem representado pelos headliners, se fortaleceu: as bandas Alarmes e Dona Cislene também integraram a festa, proclamando o vigor e a união da cena local independente.

Dentro do seu habitat e diante de uma grande audiência, reverberava a mesma personalidade que conheci em 2012, no calor humano e infernal de Cuiabá: a postura confiante e a essência autêntica efervesciam sob uma atmosfera promissora.

Hoje, mantenho aquele dia entre as minhas melhores memórias. A ocasião, a propósito, marcou o meu ritual de iniciação em rodas de pogo: fui magneticamente atraído e fervi em meio a adoráveis desconhecidos, num tipo de comunhão catártica que só o rock proporciona.

2017 continuará sendo marcado por novas conquistas. Ainda só estamos em março, mas para este ano já foram anunciados o terceiro álbum de estúdio e uma participação no Rock in Rio. Mas enquanto não acontece, você pode entender um pouco o que descrevi assistindo à íntegra do DVD no canal do YouTube. Enjoy the trip.

 As fotos utilizadas foram gentilmente cedidas pelo Breno Galtier.

26/12/2016

{Re.si.li.ên.ci.a}


A resiliência é filha da resistência e mãe da perseverança. É o que se recusa a recuar, e pousa na esperança após a turbulência. É como o pássaro quando aterrissa, o peixe quando reencontra o cardume e a presa quando está a salvo.

É o romper do cordão umbilical, a eclosão do casulo e a troca de pele. É quando a seiva da chuva flui nas rachaduras da terra, e o arco-íris proclama o fim da tormenta.

Resiliência é substantivo, mas poderia ser adjetivo: é a qualidade dos fortes. Está na luz das noites em claro, no gosto de sal da lágrima e na resistência dos glóbulos brancos.

Resiliência é insistência: é quando se desiste de desistir. É o choro de alívio no oblívio da dor, a chaga cicatrizada, o curativo da alma. É saber que em alguma hora a poeira abaixa e tudo acaba.

08/01/2016

Dica Literária: Pequenos Escritos, Sinistras Histórias


Whoa! Vou estrear este espaço falando sobre um projeto muito legal que tive o prazer de integrar. Em meados do último julho, a Editora Illuminare lançou o “1º Concurso Internacional de Contos e Minicontos: Pequenos Escritos, Sinistras Histórias” com o objetivo de estimular a produção literária de contistas iniciantes.

A princípio, a proposta era realizar um grande concurso. Mas para minha surpresa e dos demais participantes, a editora ampliou o projeto através do lançamento de um livro homônimo contendo os textos mais interessantes, concedendo a vários novos autores a oportunidade de fazerem a primeira publicação impressa.

Mas vamos ao livro: a obra contém vários contos e minicontos com temáticas marcadas por mistério, suspense e drama, em atmosferas que transitam pelo real e sobrenatural. A minha participação ocorreu através do texto inédito “Sangrento Silêncio”, que originalmente escrevi em 2011 e adaptei especialmente para a ocasião.

A obra é uma dica interessante para quem aprecia a variedade literária. A grande diversidade de estilos, ideias e influências valoriza cada diferença entre os escritos, que apenas têm em comum o formato curto. Também é uma ótima iniciação para quem deseja se aventurar por esse gênero fascinante que arrebata milhões de leitores ao redor do mundo.

É muito simples adquirir um exemplar: a encomenda da versão impressa pode ser realizada por tempo limitado e com frete grátis na Livraria Illuminare, que ainda presenteia os leitores com um brinde surpresa, marcador de página exclusivo do livro e outro marcador “love books”. Caso prefira o formato digital, acesse o site da Amazon e baixe o E-book Kindle pelo simbólico valor de R$ 1,99. Essa foi a minha dica de hoje, tenha uma boa leitura.