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15/10/2018

Breve epifania sobre a vida

Qualquer coisa que se escreva sobre a vida soa piegas, mas nunca me privei do direito de ser ridiculamente sentimental.

Divago devagar sobre essa coisa que é viver. Verbo com valor semântico subjetivo, que a gente acha que entende bem, mas nem sempre sabe conjugar. Fazemos mesmo assim, no limiar do inevitável, perto do improvável e longe do impossível.

Viver é como um livro, e alertei desde o princípio que cavaria aqui o mais profundo poço de clichês. Mas perceba: tem capítulos em que travamos, mas outros lemos sem sentir o tempo passar.

Tem páginas que gostaríamos de virar, enquanto outras, preferiríamos nem ter lido. Em muitas delas, a gente finge que entende e especula o que virá pela frente; outras instigam ou enchem linguiça, dão preguiça.

Só que nem tudo é sobre ler: algumas coisas precisam ser escritas e obrigam protagonismo, na primeira pessoa do singular, ainda que não façamos ideia do que colocar no papel. Não há opção de ser narrador observador, espaço para rascunho, tampouco tempo de revisar: a jornada do herói é eterna e urgente, até que o epílogo se apresente.

Quantas páginas você ainda tem pela frente?

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