Me incomodei quando o fio de fuligem escura caiu na piscina num domingo de sol a pino e mormaço máximo. Não pela situação em si, mas pelo efeito borboleta intrínseco: um sinal sutil de que o mundo está acabando.
Ironicamente,
tenho visto pelo Bluesky (o único céu azul possível à essa altura do apocalipse)
as aterradoras imagens das cortinas de fumaça pelo céu do país abençoado por
deus e bonito por natureza, onde o pôr do sol tem filtros naturais de Mad Max.
Com
uma mão na consciência e outra no joelho, cumpro a orientação de ingerir
bastante líquido, mas não posso evitar fazer exercícios físicos durante os
horários mais quentes, já que até as madrugadas estão batendo 30° C.
Sendo
cria do cerrado, tenho ciência das mazelas desta estação crítica do ano. Mas a
despeito da sazonalidade, tenho a impressão de estarmos nos acostumando à piora
progressiva ano após ano, ao descaso escancarado e à aceitação da situação, que
no meu ponto de vista, é o preço mais caro.
Estaríamos
normalizando as chamas no paredão, os problemas respiratórios, o rasante de
fumaça no chão? A insalubridade foi protocolada?
A
crise ambiental é coletiva, mas também é individual, uma vez que ações que
estão ao nosso alcance pessoal não são efetivas o bastante para evitar que a panela
de pressão exploda. Espero a chuva do caju com a mesma expectativa que anseio por mudanças.
O que gritam as araras enquanto o céu se dissipa num oceano de cinzas?


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