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09/04/2019

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ Cuiabá não cabe num poema

Foto: Emanoele Daiane

Canháem!
Esta cidade é oriunda
De tanto pano pra manga
Que eis meu dilema:
Cuiabá não cabe num poema

Ê, siminina!
Seu verde arde
Da aurora ao fim da tarde
Sob o sol que cora
Tudo que aqui mora

Espia lá, seu moço
O coloiado a refestelá
Ao som da viola de cocho
E gingado do ganzá

Tchá por Deus!
Do Coxipó ao Poção
Ninguém fica jururu
Tem rasqueado, lambadão
Siriri e cururu

Xaê, xômano!
Que ama guaraná ralado
Tá até doce, o pau rodado
Se acabando no caju
Pintado, pequi e pacu
Cidade verde, do céu azul
Coração da América do Sul
Os filhos deste brilho tropical
Louvam sua beleza colossal

Cuiabá de trezentos verões
Não coube neste poema
Pois é grande como os corações
De sua gente hospitaleira

Anciã da tradição
Noviça da evolução
Para além, não demora
Seu futuro é agora

15/10/2018

Breve epifania sobre a vida

Qualquer coisa que se escreva sobre a vida soa piegas, mas nunca me privei do direito de ser ridiculamente sentimental.

Divago devagar sobre essa coisa que é viver. Verbo com valor semântico subjetivo, que a gente acha que entende bem, mas nem sempre sabe conjugar. Fazemos mesmo assim, no limiar do inevitável, perto do improvável e longe do impossível.

Viver é como um livro, e alertei desde o princípio que cavaria aqui o mais profundo poço de clichês. Mas perceba: tem capítulos em que travamos, mas outros lemos sem sentir o tempo passar.

Tem páginas que gostaríamos de virar, enquanto outras, preferiríamos nem ter lido. Em muitas delas, a gente finge que entende e especula o que virá pela frente; outras instigam ou enchem linguiça, dão preguiça.

Só que nem tudo é sobre ler: algumas coisas precisam ser escritas e obrigam protagonismo, na primeira pessoa do singular, ainda que não façamos ideia do que colocar no papel. Não há opção de ser narrador observador, espaço para rascunho, tampouco tempo de revisar: a jornada do herói é eterna e urgente, até que o epílogo se apresente.

Quantas páginas você ainda tem pela frente?